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O que é educação para os media?

Atualmente, a conceção de Educação para os Media foi um pouco banalizada, uma vez que podemos verificar que a maioria das pessoas consideram que possuem competências nesta área por manipularem com facilidades as novas tecnologias. Contudo, nem todas os consumidores demonstram capacidades de análise crítica e reflexiva, ou seja, Educação para os Media não é aprender utilizar os meios de divulgação, mas sim saber analisar e refletir criticamente sobre o seu conteúdo. Assim, o cidadão ao desempenhar um papel ativo, diminui o risco de ser excluído da sua comunidade

Neste sentido, a Comissão Europeia (Diretiva), a Educação para os Media visa:

as competências, os conhecimentos e a compreensão que permite aos consumidores utilizarem os meios de comunicação social de forma efcaz e segura. As pessoas educadas para os media são capazes de fazer escolhas informadas, compreender a natureza dos conteúdos e serviços e tirar partido de toda a gama de oportunidade oferecidas pelas novas tecnologias de comunicação. Estão mais aptas a protegerem-se e a protegerem as suas famílias contra material nocivo e atentatório.”

Geralmente, quando falamos em Educação para os Media são vários os domínios sobre quais nos podemos focar. De acordo com Livingstone (2007) podem ser evidenciado diversos domínios da literacia, como a literacia mediática, a literacia digital, a literacia da publicidade, a literacia da imagem, a literacia da informação, a literacia computacional, entre outras.

Cada vez mais, a concepção de Educação para os Média está direcionada para uma cultura da comunicação, sendo dada especial atenção às capacidades e competências de comunicação. É através destas competências e capacidades que os sujeitos interagem com os restantes elementos da sociedade (mundo), afirmando-se assim o caráter social, por meio do processo socialização.

Progressivamente, os Media têm sido encarados numa perspetiva pedagógica, sobretudo dentro da sala de aula. É neste sentido que, Gonnet (2002) evidencia a importância dos media serem incluídos no planeamento educativo, realçando a necessidade de valorizar as motivações e interesses da criança, propondo atividades que visam a articulação das experiências de vida com os Media.

Neste âmbito surgem também alguns apelos aos estudantes, nomeadamente Barack Obama (em 2010), solicita:

“Vocês [estudantes] estão a amadurecer num ambiente mediático de 24 horas por dia, sete dias por semana, que nos bombardeia com todos os tipos de conteúdos e que nos expõe a todos os tipos de discussões, algumas das quais que nem sempre se posicionam muito alto na escala da verdade. E, com iPods e iPads; e Xboxes e Playstations – com as quais eu não sei trabalhar – a informação torna‑se numa distração, numa diversão, numa forma de entretenimento, em vez de ser uma ferramenta de capacitação, em vez de ser o meio da emancipação. Isto não esta apenas a colocar pressão sobre vocês; esta a colocar pressão sobre o nosso país e sobre a nossa democracia.”

O conceito de educação para os media, inicialmente apresentava uma orientação direcionada para a proteção, isto é, a criança era encarada como um ser indefeso, fortemente influenciável e vulnerável face aos conteúdos transmitidos pelos media.

Com a hegemonia das novas tecnologias é enfatizada a necessidade de promover no espaço escolar o acesso a estes meios, bem como uma formação para a sua utilização. Desta forma o conceito de educação para os media apresentava uma orientação modernizadora ou tecnológica.

A difusão das novas tecnologias por todos os setores da sociedade, possibilitou a inovação dos meios, a inclusão social e cultural. De acordo com, Martín-Barbero (2002) esta perspetiva:

“ (…) fortalece a crença de que o individuo pode comunicar prescindindo de qualquer tipo de comunicação social.”

Com a emancipação destes meios surgem uma outra perspetiva deste conceito com uma orientação capacitadora, que assenta no principio de promover a capacidade e a autonomia do sujeito, ou seja, pretende que a criança se expresse criticamente em relação aos media, apresentando uma postura positiva e ativa na sociedade.

De um modo geral, a educação para os media pode desenvolver-se em diversos contextos, formais ou informais, envolvendo diferentes públicos. Tal como os contextos e o tipo de público, segundo a Universidade do Minho (2011:30) os atores envolvidos neste processo também podem variar:

“-professores no contexto da escola ou em ambientes informais, com as associações juvenis ou comunitárias;

-grupo cívicos;

-bibliotecários;

-animadores sócio-culturais;

-grupos e organizações para a juventude;

-grupos ou associações de pais;

-empresas dos media, publicas e comerciais;

-entidades reguladoras;

-serviços de saúde;

-meios de comunicação;

-académicos e investigadores;

-igreja e outros grupos religiosos.”

Desde então, verifica-se uma maior preocupação por parte das escolas em promover iniciativas que integrem a educação para os media num perspetiva de educação para a cidadania. O problema reside no tipo de objetivos em que cada escola se centra, não diferenciando “educação através dos média” de “educação acerca dos média”.

Neste sentido, Buckingam (2001) evidencia que:

“aprender através dos media não é o mesmo que aprender acerca dos media. Trata-se muitas vezes de usá-los apenas para ilustrar ou para explicar determinado conteúdo programático.”

Certamente, todos concordamos que as novas tecnologias facilitaram o acesso à informação, demonstrando-se bastante úteis para a construção de conhecimento. Contudo, a educação para os media visa também o desenvolvimento de competências de expressão (comunicação) e produção.

Desta forma, importa incentivar projeto de educação para os media um pouco mais diferenciados, encarando:

“– os media como campo ou objecto de estudo, ou seja, compreender os media como instituições sociais específicas e o seu impacto na vida social. O principal objectivo é aprender acerca dos media;

– os media como meio de comunicação ou de expressão e de produção: procurase valorizar e promover as experiências conducentes à criação de conteúdos de natureza diversa, recorrendo a diferentes tipos de ferramentas. É valorizada a vertente de produção com o objectivo de aprender a utilizar os media;

– os media como um conjunto de recursos diversificados que podem contribuir para o enriquecimento do processo educativo. Tratase de utilizar os produtos dos media para promover a reflexão e análise acerca de um determinado tópico, assunto ou tema. Consiste em aprender com/através dos media.”

Em sintese, considero que educação para os media permite educar as crianças de modo a formar seres humanos conscientes, proeficientes e criticos, numa perspetiva de educação para a cidadania, possibilitando uma participação ativa na sociedade.

 

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